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Conheça o Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu de SP

13 de maio de 2019

O Edifício Martinelli pode ter perdido o posto de prédio mais alto de São Paulo, mas, com certeza, é um dos que têm mais histórias. Uma construção que, em seu auge, representava tudo o que São Paulo viria a ser, passou também por um período que exemplificava os piores problemas da megalópole.

Localizado no centro antigo, entre as ruas São Bento e Líbero Badaró e a Avenida São João, para quem trabalha por perto é muito fácil passar por ele sem perceber o que ele representa para a cidade ou mesmo olhar para cima e observar esse monumento arquitetônico histórico. Se ficou interessado, preparamos este post para você!

A construção conturbada do Edifício Martinelli

Giuseppe Martinelli foi um imigrante italiano que prosperou no ramo de navegação marítima durante a Primeira Guerra. Com a prosperidade dos negócios, o empresário decidiu realizar seu sonho de deixar um legado para a cidade: em 1924, iniciou a construção do que viria a ser o primeiro arranha-céu de São Paulo e o maior da América Latina.

Além do tamanho, a construção em estilo neoclássico também contava com um luxo nunca visto, com os melhores materiais disponíveis na época, importados pela empresa de Martinelli. Entretanto, a obra sofreu vários atrasos e problemas. O projeto original previa apenas 12 andares, mas o empresário continuava adicionando-os, mesmo após sua inauguração.

Quando atingiu 24 andares, a obra foi embargada pela prefeitura, por não ter licença e infringir leis municipais. A luta de Martinelli se tornou política, envolvendo a prefeitura e opositores. Por fim, uma comissão técnica considerou o prédio seguro e limitou sua altura a 25 andares. Para chegar ao seu objetivo, o empresário construiu lá uma casa de cinco andares para si e a família, que hoje é conhecida como Casa do Comendador.

Mesmo antes de sua conclusão, já havia se tornado um ícone de São Paulo, com sedes de partidos, jornais e clubes, um cinema e um hotel entre seus inquilinos. O prédio era o point da alta sociedade paulista da época.

O período de abandono

O auge do Edifício Martinelli durou pouco. Entre os atrasos na construção e a crise econômica de 1929, Giuseppe Martinelli foi forçado a vender seu edifício ao governo italiano em 1934 para pagar dívidas. Com a Segunda Guerra, todos os bens de países aliados ao Eixo foram confiscados e passaram para a União. Esse foi o destino do prédio em 1943.

Embora pertencesse à União, o prédio começou um processo de degradação que o levaria, na década de 1960 e no início da de 1970, a se tornar uma favela vertical, devido a ser uma das únicas opções de moradia barata no centro. As condições dessas habitações eram insalubres: o lixo parou de ser recolhido e passou a se acumular nos poços de ventilação, os elevadores pararam de funcionar e até assassinatos ocorreram no local, sem nunca terem sido resolvidos.

A renovação do Edifício Martinelli

Em 1975, a história da construção toma um novo rumo, com o então recém-eleito prefeito Olavo Setúbal decidindo salvá-lo. Após uma desapropriação complicada, o edifício passou por um processo profundo de restauração. A fachada foi limpa com jateamento de areia, os sistemas hidráulico e elétrico foram substituídos completamente, novos elevadores foram instalados e, por fim, foi feito um sistema de prevenção a incêndios que o tornou um dos mais seguros da cidade.

Ele foi reinaugurado em 1979, passando a ser sede de várias repartições municipais, o que ainda é sua principal função. A Casa do Comendador, a antiga residência de Giuseppe Martinelli, ficou aberta a visitação, com o seu terraço oferecendo uma linda vista de São Paulo. Infelizmente, no momento, as visitações estão suspensas por tempo indeterminado.

O Edifício Martinelli foi uma construção pioneira e tem um papel importante na história da cidade. Seus corredores já abrigaram tanto a elite quanto os desfavorecidos. Hoje, é uma parte integral do centro paulistano. Se você passar pela rua São Bento e olhar para cima, conseguirá ver esse pedaço de história.

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